Núcleo atômico e estabilidade
Número atômico $Z$ (prótons) e número de massa $A=Z+N$ (prótons + nêutrons). Núcleos muito pesados ou com razão nêutron/próton desfavorável são instáveis e emitem radiação espontaneamente para atingir configurações mais estáveis — fenômeno descoberto por Becquerel e estudado por Marie e Pierre Curie.
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A estabilidade nuclear depende de um balanço delicado entre a atração nuclear forte, que age entre todos os núcleons e é de curtíssimo alcance, e a repulsão eletrostática entre prótons, que cresce com o quadrado do número atômico e não se satura. Por isso, o gráfico de N em função de Z revela a chamada linha de estabilidade: núcleos leves estáveis tendem a ter N ≈ Z, enquanto núcleos pesados precisam de um excesso de nêutrons para diluir a repulsão coulombiana sem afastar demais os prótons. Fora dessa faixa surgem os nuclídeos instáveis, que buscam maior energia de ligação por núcleon e, para isso, sofrem decaimentos. Um núcleo com excesso de nêutrons, como o carbono-14 (Z = 6, N = 8), sofre decaimento beta menos: um nêutron se converte em próton, emitindo elétron e antineutrino, e o núcleo vira nitrogênio-14, que é estável.
Já núcleos com excesso de prótons podem decair por beta mais ou captura eletrônica, e os muito pesados, como o urânio-238, tendem à emissão alfa, perdendo dois prótons e dois nêutrons de uma vez, pois isso reduz mais eficientemente a repulsão.
Vale notar que essa instabilidade é espontânea: não depende de agentes externos, sendo regida apenas pela probabilidade quântica de tunelamento e pela diferença de massa entre núcleo pai e produtos, convertida em energia segundo E = Δm·c².