Três mecanismos: condução, convecção e irradiação. Os dois primeiros exigem meio material; só a irradiação ocorre no vácuo — é assim que a energia do Sol chega à Terra. Em situações reais, os três costumam atuar ao mesmo tempo.
Aprofundar ▾
A transferência de calor é o trânsito espontâneo de energia térmica entre corpos ou regiões com temperaturas diferentes, sempre do mais quente para o mais frio, até que se atinja o equilíbrio térmico, quando cessa o fluxo líquido de energia. Cada mecanismo tem sua física própria: na condução, o calor se propaga por contato direto, sem transporte de matéria, via colisões entre partículas e elétrons livres — por isso metais conduzem bem e gases, mal; a Lei de Fourier, Φ = k·A·Δθ/L, quantifica esse fluxo, mas atenção: ela é cobrada sobretudo em vestibulares militares (ITA, IME, EsPCEx), não sendo exigida na Fuvest ou Unicamp, que preferem cobrar o conceito qualitativo.
Na convecção, o calor se propaga pelo movimento macroscópico de massas fluidas: o fluido aquecido expande, fica menos denso e sobe, enquanto o frio desce, gerando correntes de convecção — é o que ocorre no ar-condicionado instalado no alto (o ar frio desce) e no congelador na parte superior da geladeira. Já a irradiação dispensa meio material: transmite-se por ondas eletromagnéticas, majoritariamente no infravermelho, e é o único mecanismo que atravessa o vácuo — exatamente como a energia solar chega à Terra, permitindo a vida.
Condução térmica
Propagação por agitação molecular, sem transporte de matéria; típica dos sólidos, sobretudo metais. Lei de Fourier: $\Phi=\frac{k\,A\,\Delta\theta}{L}$ — o fluxo cresce com a área e a diferença de temperatura, e cai com a espessura. Ar parado e isopor são bons isolantes.
Aprofundar ▾
Na condução térmica, a energia migra de região mais quente para a mais fria por meio da transmissão de vibração entre partículas vizinhas: átomos com maior energia cinética vibracional empurram seus vizinhos, que passam a vibrar mais, e assim o calor avança sem que o material se desloque — é por isso que dizemos que há transferência de energia, não de matéria. Nos metais, além dessa agitação, entram em cena os elétrons livres, que se movem rapidamente e transferem energia com enorme eficiência, o que explica por que o cobre conduz calor cerca de dez mil vezes melhor que o ar. Daí a famosa sensação de que um piso de cerâmica “está mais frio” que um tapete na mesma sala: ambos estão à mesma temperatura, mas a cerâmica retira calor do seu pé muito mais rápido, e é essa rapidez de retirada que seus terminais nervosos interpretam como frio.
Pense num iglu: o gelo compactado tem condutividade térmica baixa, e o ar preso entre os blocos isola ainda mais, de modo que o calor do corpo dos ocupantes se conserva lá dentro mesmo com −40 °C do lado de fora. Note ainda que a lei de Fourier exige regime estacionário: o fluxo só é o mesmo em todas as seções quando as temperaturas não variam com o tempo nem ao longo da barra, condição frequentemente verificada em exercícios de barras compostas.
Convecção térmica
Ocorre em fluidos, com transporte de matéria: o fluido aquecido fica menos denso e sobe; o frio desce, formando correntes de convecção. Explica o congelador no alto da geladeira, o ar-condicionado em cima e as brisas marítima e terrestre.
Aprofundar ▾
A convecção térmica é um dos três mecanismos fundamentais de transferência de calor — ao lado da condução e da radiação — e se distingue por só ocorrer em fluidos, isto é, líquidos e gases, jamais em sólidos, porque depende do movimento macroscópico de porções do próprio meio. O motor desse processo é a combinação entre a dilatação térmica e a ação da gravidade: ao receber calor, uma porção de fluido se expande, sua densidade diminui e, sendo mais leve que o entorno, é empurrada para cima pelo empuxo, enquanto o fluido mais frio e mais denso ocupa o lugar deixado, descendo. Esse ciclo contínuo estabelece as correntes de convecção, que persistem enquanto houver diferença de temperatura entre as regiões do fluido.
Vale notar que a convecção não é um mecanismo único, mas se subdivide em dois tipos: a convecção natural, movida apenas pela diferença de densidade, e a convecção forçada, em que um agente externo — um ventilador, uma bomba ou o próprio vento — impõe o movimento do fluido. Esse detalhe costuma escapar em questões de múltipla escolha, que às vezes exploram a diferença entre os dois casos. Como exemplo concreto, pense numa panela de água no fogo: o calor da chama aquece a água no fundo, que se torna menos densa e sobe em colunas, enquanto a água mais fria desce pelas laterais para ser aquecida, num ciclo que uniformiza a temperatura de todo o líquido muito mais rápido do que a condução conseguiria.
Em todos esses casos, o que o examinador quer verificar é se o candidato compreendeu que a convecção exige um fluido em movimento e que esse movimento nasce da diferença de densidade gerada pela variação de temperatura, e não de uma posição fixa do aparelho ou de uma suposta "capacidade" do calor de subir por si só.
Dominar essa lógica impede erros clássicos, como afirmar que o congelador resfria a geladeira por irradiação ou que o calor "sobe" independentemente do meio material, confusões que derrubam muitos candidatos em questões aparentemente simples.
Irradiação térmica
Transporte por ondas eletromagnéticas (infravermelho), sem meio material. Corpos escuros e foscos absorvem e emitem melhor; claros e polidos refletem. Fundamenta a garrafa térmica espelhada, o efeito estufa e o aquecimento solar.
Aprofundar ▾
A irradiação térmica é o único processo de transferência de calor que dispensa meio material, pois consiste na emissão de ondas eletromagnéticas — sobretudo no infravermelho — geradas pela agitação térmica das partículas de um corpo. Todo corpo com temperatura acima do zero absoluto emite radiação, e a potência líquida trocada com a vizinhança depende da diferença entre o que ele emite e o que absorve. Aqui entra a Lei de Stefan-Boltzmann, que costuma aparecer em prova como P = σ·A·e·T⁴, em que σ é a constante de Stefan-Boltzmann, A a área superficial, e a emissividade (0 < e < 1) e T a temperatura absoluta em kelvin — repare que a dependência é com a quarta potência, então dobrar a temperatura multiplica a potência por dezesseis.
Já a Lei de Wien, expressa por λmáx·T = constante, explica por que corpos muito quentes brilham em comprimentos de onda curtos: ao aquecer um metal, ele passa do vermelho opaco ao amarelo e depois ao branco-azulado. No equilíbrio entre o que o corpo recebe e emite, vale ainda a Lei de Kirchhoff, segundo a qual um bom absorvedor é necessariamente um bom emissor — daí a garrafa térmica espelhar as paredes internas, minimizando tanto a absorção quanto a emissão.
Dominar essas leis e saber aplicá-las em situações do cotidiano é, portanto, o caminho mais seguro para resolver com tranquilidade as questões de irradiação térmica nos principais vestibulares do país.
Minimização de transferência de calor
A garrafa térmica combate os três mecanismos: vácuo entre paredes (corta condução e convecção), superfícies espelhadas (cortam irradiação) e tampa (impede convecção pela abertura). O mesmo princípio aparece em isolamento residencial e em roupas térmicas.
Aprofundar ▾
A minimização da transferência de calor baseia-se em reduzir a taxa com que a energia térmica flui espontaneamente do corpo mais quente para o mais frio, e isso exige identificar qual dos três mecanismos predomina em cada situação. A condução depende de colisões moleculares e é favorecida por materiais de alta condutividade térmica, como metais; por isso, isolar significa interpor materiais de baixa condutividade, os isolantes térmicos, entre os quais se destacam madeira, isopor, lã de vidro, ar e, em geral, substâncias porosas que aprisionam ar. A convecção, por sua vez, só ocorre em fluidos e depende da livre circulação de massas de líquido ou gás; para suprimi-la, basta impedir esse movimento, seja confinando o fluido em células pequenas, seja eliminando o meio material, como no vácuo.
Já a irradiação é o único mecanismo que se propaga mesmo no vácuo, na forma de ondas eletromagnéticas, e sua intensidade depende da temperatura e da emissividade da superfície, de modo que superfícies polidas e claras refletem melhor a radiação, enquanto superfícies escuras e rugosas a absorvem com mais eficiência.