F2 · Aulas 61–62

Circuitos RC

Capacitor em corrente contínua

Ao ligar um capacitor descarregado a uma fonte por um resistor, a corrente é máxima no instante inicial (capacitor se comporta como fio) e tende a zero quando o capacitor está plenamente carregado (comporta-se como circuito aberto). Tema recorrente em ITA/IME ao combinar com resistores em regime permanente.

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Antes de tudo, é preciso entender o que significa dizer que o capacitor “se comporta como fio” ou “circuito aberto”: não é uma mudança mágica, mas consequência da relação i = C·dV/dt. No instante em que a chave fecha, se o capacitor está descarregado (V=0) e a fonte tem tensão E, toda a diferença de potencial fica sobre o resistor, então i₀ = E/R, como se o capacitor fosse um curto. Conforme cargas se acumulam nas placas, surge uma tensão V_C(t) = E(1 − e^(−t/RC)) que se opõe à fonte, reduzindo a corrente exponencialmente: i(t) = (E/R)e^(−t/RC). Quando t cresce muito diante de τ = RC, V_C se aproxima de E e a corrente cai para praticamente zero; aí o capacitor atua como aberto.

A energia armazenada é U = ½CE², metade do trabalho total da fonte, pois a outra metade é dissipada no resistor. Exemplo concreto: fonte de 12 V, R = 2 kΩ e C = 500 µF, com τ = 1 s. No início, i = 6 mA e V_C = 0; em t = 1τ, V_C ≈ 7,6 V e i ≈ 2,2 mA; após 5τ, V_C ≈ 11,94 V e i quase nula, caracterizando o regime permanente em que o capacitor pode ser removido do circuito para cálculos de corrente contínua.

Carga do capacitor

$q(t)=q_{máx}\left(1-e^{-t/RC}\right)$, com $q_{máx}=C\varepsilon$. A grandeza $\tau=RC$, a constante de tempo, mede a rapidez do processo: em $t=\tau$ a carga atinge cerca de 63% do valor final; em $t=5\tau$, considera-se praticamente completa.

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Quando a chave de um circuito RC série é fechada, a fonte de tensão $\varepsilon$ não transfere carga instantaneamente ao capacitor: a própria carga acumulada em uma placa cria um campo elétrico que se opõe ao avanço de novas cargas, e é o resistor que impõe um ritmo a esse processo, limitando a corrente a $i=\varepsilon/R$ no instante inicial. À medida que o capacitor se carrega, a tensão sobre ele cresce, a tensão disponível sobre o resistor diminui e a corrente cai exponencialmente, fazendo a carga tender assintoticamente a $q_{máx}=C\varepsilon$. Esse comportamento é governado pela equação diferencial $R\,\dfrac{dq}{dt}+\dfrac{q}{C}=\varepsilon$, cuja solução é justamente a curva exponencial crescente já resumida, resultado direto da lei das malhas de Kirchhoff combinada com $i=dq/dt$.

Vale notar que, em $t=\tau=RC$, a corrente já caiu para cerca de 37% do valor inicial, e em $t=5\tau$ o capacitor está essencialmente carregado, com corrente praticamente nula. Como exemplo concreto, um circuito com $\varepsilon=12$ V, $R=2\,\text{k}\Omega$ e $C=5\,\mu$F tem $\tau=10$ ms e $q_{máx}=60\,\mu$C; em 10 ms a carga é de aproximadamente 38 $\mu$C, e em 50 ms já supera 59,6 $\mu$C.

Descarga do capacitor

$q(t)=q_0\,e^{-t/RC}$: decaimento exponencial ao curto-circuitar o capacitor carregado através de um resistor. A corrente segue a mesma lei, $i(t)=i_0e^{-t/RC}$. Aumentar $R$ ou $C$ torna o processo mais lento — usado no ajuste de temporizadores e flashes eletrônicos.

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A descarga do capacitor é o fenômeno pelo qual a energia acumulada no campo elétrico entre suas placas se dissipa quando o circuito é fechado sem fonte externa, ou seja, o capacitor se comporta momentaneamente como uma fonte que empurra cargas através do resistor. Isso ocorre porque a diferença de potencial entre as placas força a corrente a fluir, e essa corrente reduz a carga armazenada, diminuindo a tensão e, consequentemente, a própria corrente — um processo auto-regulável. A constante de tempo τ = RC não é apenas um parâmetro de lentidão: ela representa o tempo necessário para a carga cair a cerca de 37% do valor inicial e, após 5τ, o capacitor é considerado praticamente descarregado (menos de 1% restante).

Energia armazenada e regime permanente

Em regime permanente (capacitor plenamente carregado), nenhuma corrente passa pelo ramo que contém apenas o capacitor — ele se comporta como interruptor aberto, e o restante do circuito se resolve como resistivo puro. Energia armazenada: $E=\frac{Q^{2}}{2C}=\frac{1}{2}CV^{2}$.

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Quando o capacitor atinge o regime permanente, dizer que ele "vira um interruptor aberto" é um atalho útil, mas vale entender o porquê: ao se carregar, as cargas se acumulam nas placas até que o campo elétrico interno gere uma tensão igual à da fonte que o alimenta; nesse ponto, a diferença de potencial sobre ele fica travada e nenhuma corrente adicional precisa fluir para mantê-la, pois $i=C\,dV/dt$ e $dV/dt=0$. Por isso, em análises de malha, basta substituir o capacitor por um circuito aberto e calcular correntes e tensões como se ele não existisse, lembrando que a tensão entre seus terminais, mesmo sem corrente, continua definida pelo resto do circuito.

A energia $E=\tfrac{1}{2}CV^{2}$ representa o trabalho realizado para transportar carga contra o campo crescente, e note que essa energia não depende da história de carregamento, apenas do estado final — detalhe importante porque, no processo real, metade da energia fornecida pela fonte acaba dissipada no resistor. Exemplo concreto: numa fonte de $12\,\text{V}$ em série com resistor de $1\,\text{k}\Omega$ e capacitor de $100\,\mu\text{F}$, após vários múltiplos da constante de tempo $\tau=RC=0{,}1\,\text{s}$, a corrente cai praticamente a zero, a tensão no resistor some e o capacitor fica com os $12\,\text{V}$ completos, armazenando $E=\tfrac{1}{2}\cdot100\times10^{-6}\cdot144=7{,}2\,\text{mJ}$.

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  • Circuito RC — carga e descarga do capacitor

    Carga: q = Q(1 − e^(−t/RC)); descarga: q = Q·e^(−t/RC). A constante τ = RC é o tempo para atingir 63% (ou cair a 37%).