Dois condutores separados por um dielétrico, que armazenam carga e energia elétrica. Ao ser ligado, carrega-se até atingir a tensão da fonte, quando a corrente cessa. Em regime permanente com corrente contínua, o capacitor se comporta como circuito aberto.
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O funcionamento do capacitor se baseia no acúmulo de cargas elétricas de sinais opostos em duas placas condutoras paralelas, separadas por um material isolante (o dielétrico). Quando ligado a uma fonte de tensão contínua, surge um campo elétrico entre as placas que força a migração de elétrons: uma placa perde elétrons (fica positiva) e a outra ganha (fica negativa). Esse processo não é instantâneo — a carga vai se acumulando até que a tensão entre as placas iguale a da fonte. Nesse momento, o capacitor está carregado, e a corrente no circuito se anula. É por isso que, em corrente contínua, ele funciona como um circuito aberto em regime permanente, bloqueando a passagem de corrente contínua, mas permitindo a passagem de corrente alternada, que fica constantemente carregando e descarregando as placas.
A capacitância de um capacitor (C)
$C=\frac{Q}{U}$, em farads — na prática, $\mu\mathrm{F}$ e $\mathrm{pF}$. Depende apenas da geometria e do dielétrico, não da carga nem da tensão aplicadas. Dobrar a tensão dobra a carga, mantendo $C$ constante.
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A capacitância mede a capacidade de armazenar carga elétrica por unidade de tensão e, mais profundamente, traduz a aptidão do sistema em acumular energia no campo elétrico entre dois condutores; por isso dois corpos idênticos, ao serem aproximados, já formam um capacitor de pequeno valor, mesmo sem fios externos. A relação $C = \varepsilon A/d$ para o capacitor plano revela que dobrar a área das placas dobra $C$, enquanto dobrar a distância a reduz à metade, evidenciando que a geometria e o meio dielétrico definem o comportamento. O dielétrico, ao se polarizar, enfraquece o campo interno e permite, com a mesma tensão, armazenar mais carga — por isso inserir mica ($\kappa \approx 5$) pode multiplicar $C$ por cinco.
Como exemplo, num capacitor plano de $A = 200\ \mathrm{cm^2}$, $d = 2\ \mathrm{mm}$ e ar ($\varepsilon_0 \approx 8,85\times10^{-12}$), obtém-se $C \approx 8,85\times10^{-11}\ \mathrm{F} = 88,5\ \mathrm{pF}$; ligado a $12\ \mathrm{V}$, armazena $Q \approx 1,06\times10^{-9}\ \mathrm{C}$ e energia $U_e = \tfrac12 CV^2 \approx 6,4\ \mathrm{nJ}$.
Curva característica e a energia potencial armazenada em um capacitor
O gráfico $Q\times U$ é uma reta de inclinação $C$, e a área sob ela dá a energia: $E=\frac{QU}{2}=\frac{CU^{2}}{2}=\frac{Q^{2}}{2C}$. O fator $\frac{1}{2}$ aparece porque a tensão cresce durante a carga — metade da energia da fonte se dissipa no processo.
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A curva característica de um capacitor relaciona a carga acumulada $Q$ com a tensão $U$ aplicada, e sua linearidade revela que a capacitância $C$ é constante — o capacitor é um dispositivo linear. Isso significa que, ao dobrarmos a tensão, a carga dobra; ao triplicarmos, a carga também triplica, sempre na mesma proporção. Essa relação direta permite interpretar o gráfico como uma ferramenta geométrica: cada ponto sobre a reta representa um estado de carga, e a inclinação (coeficiente angular) é numericamente igual a $C$. Como a energia armazenada é o trabalho realizado para depositar cada porção infinitesimal de carga sob a tensão instantânea, a soma dessas contribuições equivale à área do triângulo formado entre a reta e o eixo horizontal.
Por isso, mesmo que a carga final seja $Q$ e a tensão final seja $U$, a energia não é simplesmente $QU$, mas $QU/2$ — a média entre zero e o valor final, já que a tensão cresce linearmente durante o processo.
Cálculo construtivo
Para o capacitor plano, $C=\frac{\varepsilon A}{d}$: cresce com a área das placas e com a permissividade do dielétrico, e cai com a distância entre elas. Inserir dielétrico aumenta $C$ pelo fator $\kappa$ — e por isso permite armazenar mais carga sob a mesma tensão.
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Por trás da fórmula $C=\frac{\varepsilon A}{d}$ existe uma leitura física que vale a pena destrinchar: a capacitância mede quanta carga o dispositivo consegue acumular por volt aplicado, e o cálculo construtivo mostra como a geometria e o material entre as placas governam essa capacidade. A dependência com a área $A$ é linear porque cada elemento de área das placas contribui, em paralelo, com sua própria parcela de capacitância, de modo que dobrar a área equivale a associar dois capacitores idênticos em paralelo. Já a dependência com $d$ é inversa porque, para uma mesma carga armazenada, o campo elétrico uniforme entre as placas vale $E=\frac{U}{d}$: aumentar a separação exige mais tensão para manter a mesma carga, reduzindo a razão $Q/U$.
O papel do dielétrico é mais sutil do que "aumentar $C$": ao ser polarizado, ele cria um campo interno que se opõe ao campo original, enfraquecendo o campo resultante no interior do material. Como a diferença de potencial entre as placas é a integral do campo ao longo do percurso, essa redução faz $U$ cair para $\frac{U_0}{\kappa}$ a carga constante, e é justamente essa queda de tensão que eleva a capacitância pelo fator $\kappa$.
Associação de capacitores
As regras invertem-se em relação aos resistores: em série somam-se os inversos; em paralelo, as capacitâncias. Guardar essa inversão evita o erro mais comum do tópico — e faz sentido, pois $C$ é o inverso da “dificuldade” de armazenar carga.
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A razão da inversão está na própria definição de capacitância: $C = Q/V$, ou seja, o capacitor é tanto mais capacitivo quanto mais carga acumula por volt aplicado. Em série, todos os capacitores compartilham a mesma carga $Q$ (as placas internas se carregam por indução), mas as tensões se somam, de modo que a tensão total é $V = Q/C_1 + Q/C_2 + \dots$, o que leva a $1/C_{eq} = \sum 1/C_i$; a associação fica menos capacitiva que o menor dos capacitores, pois a ddp se distribui e cada um armazena menos carga do que armazenaria sozinho sob a mesma tensão total. Em paralelo, todos ficam sob a mesma tensão $V$, as cargas se somam ($Q = C_1V + C_2V + \dots$) e obtém-se $C_{eq} = \sum C_i$, sempre maior que o maior deles, pois a área efetiva de placas aumenta.
Note ainda que, em série, como $Q$ é igual e $V_i = Q/C_i$, o capacitor de menor capacitância suporta a maior tensão — daí o cuidado em associações série quando se quer evitar ruptura do dielétrico. Exemplo concreto: dois capacitores, $C_1 = 2\,\mu F$ e $C_2 = 3\,\mu F$, sob $V = 10\,V$. Em paralelo, $C_{eq} = 5\,\mu F$ e a carga total é $Q = 50\,\mu C$. Em série, $C_{eq} = (2\cdot 3)/(2+3) = 1{,}2\,\mu F$, a carga comum é $Q = 12\,\mu C$, e as tensões valem $V_1 = 6\,V$ e $V_2 = 4\,V$, confirmando que o menor capacitor fica com a maior tensão.
Capacitores associados em série
Mesma carga em todos; as tensões se somam. $\frac{1}{C_{eq}}=\sum\frac{1}{C_i}$, com $C_{eq}$ menor que o menor. Usa-se quando é preciso suportar tensão maior que a nominal de cada capacitor.
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Na associação em série, os capacitores são ligados um após o outro, formando um único caminho para a corrente de carga. Isso impõe uma consequência fundamental: como não há derivação, todos armazenam a mesma quantidade de carga $Q$, independentemente de suas capacitâncias. A partir de $V=Q/C$, percebe-se que o capacitor de menor capacitância fica com a maior tensão, e é justamente ele que determina o limite de tensão segura do conjunto — se a tensão nele ultrapassar o valor nominal, ocorre ruptura do dielétrico. Por isso, uma aplicação clássica é dividir uma tensão elevada entre vários capacitores de menor tensão nominal, embora seja boa prática usar capacitores iguais para uniformizar a divisão.
Capacitores associados em paralelo
Mesma tensão em todos; as cargas se somam. $C_{eq}=\sum C_i$, maior que o maior — equivale a aumentar a área das placas. É a ligação usada quando se quer armazenar mais carga sob a mesma tensão.
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Na associação em paralelo, os capacitores ficam ligados entre os mesmos dois pontos do circuito, de modo que todos compartilham a mesma diferença de potencial imposta pela fonte. Como $Q_i = C_i U$, cada capacitor acumula carga proporcional à sua capacitância, e a carga total entregue pela fonte é a soma das cargas individuais. Daí surge o resultado $C_{eq} = \sum C_i$: a associação se comporta como um único capacitor de placas maiores, já que a área efetiva de armazenamento aumenta. Um ponto crucial, que muita gente confunde, é que o capacitor de menor capacitância, embora receba menos carga, está submetido à mesma tensão que os outros — não há divisão de tensão, ao contrário do que ocorre em série.
Para fixar, imagine três capacitores de $2\,\mu F$, $3\,\mu F$ e $5\,\mu F$ ligados em paralelo a uma fonte de $12\,V$. A equivalente é $C_{eq} = 2+3+5 = 10\,\mu F$. As cargas valem $24\,\mu C$, $36\,\mu C$ e $60\,\mu C$, totalizando $120\,\mu C$, que confere com $Q = C_{eq}U = 10\,\mu F \times 12\,V$. Observe que a energia armazenada, $\frac{1}{2}C_{eq}U^2$, também é a soma das energias de cada capacitor, o que reforça a coerência do modelo.
Associação mista e capacitores no circuito elétrico
Simplifica-se por blocos, como nos resistores, mas com as regras invertidas. Em circuito de corrente contínua já estabilizado, o ramo do capacitor não conduz: elimine-o para calcular as correntes e, depois, use a ddp entre seus terminais para achar a carga.
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Na associação mista, o segredo é identificar nós de mesmo potencial e reconhecer Capacitores em série e em paralelo dentro da malha, tratando cada bloco como um único capacitor equivalente antes de combiná-los com os demais. Diferente dos resistores, a capacitância equivalente em paralelo é a soma das capacitâncias (Ce = C1 + C2 + ...), pois ambos compartilham a mesma ddp e armazenam cargas que se somam; em série, o inverso da equivalente é a soma dos inversos (1/Ce = 1/C1 + 1/C2 + ...), porque a carga é a mesma em todos e a ddp total se divide. No circuito em corrente contínua já estabilizado, o capacitor se comporta como circuito aberto, então o ramo onde ele está não é percorrido por corrente contínua — isso permite resolver o circuito resistivo normalmente, achar as correntes e, em seguida, determinar a ddp entre os terminais do capacitor, que é a mesma do elemento resistivo em paralelo com ele.
Por exemplo, considere uma fonte de 12 V alimentando um resistor R1 = 2 Ω em série com um bloco formado por R2 = 6 Ω em paralelo com um capacitor C. No regime estacionário, o capacitor bloqueia a corrente contínua no ramo paralelo, então toda a corrente passa por R1 e R2, totalizando 12 V sobre 8 Ω, ou seja, i = 1,5 A. A ddp sobre o bloco paralelo é 1,5 A × 6 Ω = 9 V, e como o capacitor está em paralelo com R2, ele também fica submetido a 9 V. Se C = 2 µF, a carga armazenada é Q = C·U = 2 µF × 9 V = 18 µC. Se houvesse dois capacitores em série nesse ramo, com C1 = 2 µF e C2 = 6 µF, a equivalente seria 1/Ce = 1/2 + 1/6 = 4/6, logo Ce = 1,5 µF, e a carga seria a mesma em ambos (Q = 1,5 µF × 9 V = 13,5 µC), com tensões parciais de 6,75 V em C1 e 2,25 V em C2.
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Capacitor — carga × tensão e energia armazenada
q = C·U é uma reta; a energia é a área do triângulo: E = qU/2 = CU²/2. Mova U e veja a área.