F2 · Aulas 37–38

Geradores elétricos II

Geradores idênticos associados em série

Somam-se as fems e as resistências internas: $\varepsilon_{eq}=n\varepsilon$ e $r_{eq}=n\,r$. Aumenta-se a tensão disponível, mantendo a mesma corrente — é a ligação das pilhas na lanterna. Basta uma pilha invertida para reduzir a fem equivalente.

Aprofundar

Quando você associa geradores idênticos em série, está empilhando fontes de energia em cadeia: o terminal positivo de uma se conecta ao negativo da seguinte, e assim por diante, de modo que cada portador de carga atravessa sucessivamente todas elas, recebendo um "empurrão" elétrico em cada etapa. Isso explica por que a fem equivalente é a soma das fems individuais, mas há um detalhe sutil que o resumo não explora: a resistência interna também se soma, pois a corrente atravessa o interior de cada gerador, sofrendo perdas por efeito Joule em cada um. Na prática, isso significa que a associação em série é vantajosa quando se precisa de tensão alta sem aumentar a corrente — típico de lanternas, controles remotos e brinquedos, em que várias pilhas de 1,5 V formam 4,5 V ou 6 V.

Considere três pilhas ideais iguais, cada uma com fem de 1,5 V e resistência interna de 0,5 Ω, alimentando uma lâmpada de 6 Ω. A fem equivalente é 4,5 V e a resistência interna total, 1,5 Ω; a corrente vale 4,5/(6+1,5) = 0,6 A, e a tensão útil nos terminais da lâmpada é 3,6 V, menor que os 4,5 V nominais justamente por causa das perdas internas somadas. Se uma das pilhas fosse invertida, sua fem subtrairia das demais (1,5 + 1,5 − 1,5 = 1,5 V), mas sua resistência interna continuaria somando, agravando a queda de tensão.

Geradores idênticos associados em paralelo

A fem não muda, mas a resistência interna cai: $\varepsilon_{eq}=\varepsilon$ e $r_{eq}=\frac{r}{n}$. Ganha-se em corrente disponível e em durabilidade, pois cada gerador fornece parte da corrente total. Só se associam assim geradores de mesma fem.

Aprofundar

Quando você associa geradores idênticos em paralelo, todos os polos positivos se ligam entre si e todos os negativos também, de modo que a associação inteira se comporta como um único gerador equivalente. A fem não se soma, justamente porque os terminais estão no mesmo potencial: imagine duas pilhas de 1,5 V ligadas positivo com positivo e negativo com negativo; a diferença de potencial entre os polos continua sendo 1,5 V, não 3 V. Em troca, a corrente que cada pilha precisa fornecer cai para a enésima parte da corrente total, o que reduz a perda por efeito Joule dentro de cada uma ($P = r i^2$) e explica por que a associação em paralelo "rende mais" e dura mais.

O ponto sutil é a resistência interna: com $n$ geradores iguais, cada ramo oferece resistência $r$, e como estão em paralelo, a equivalente fica $r/n$. Isso significa que a queda de tensão interna para uma dada corrente total é menor, ou seja, a tensão útil nos terminais cai menos sob carga — por isso o paralelo é a escolha quando se quer alimentar um dispositivo que exige corrente alta, como o motor de arranque de um carro antigo, que usava várias baterias em paralelo para fornecer centenas de ampères sem derrubar a tensão.