F4 · Aulas 6–9

Dinâmica II

Força elástica

Lei de Hooke: $F=k\,x$, com $x$ a deformação (nunca o comprimento total) e $k$ a constante elástica, em N/m. Válida só no regime elástico. A energia armazenada é $E_p=\frac{k\,x^{2}}{2}$, área sob o gráfico $F\times x$.

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A força elástica é a força restauradora que surge quando um corpo deformável, tipicamente uma mola ou um elástico ideal, é esticado ou comprimido, e ela sempre aponta no sentido de devolver o corpo à sua configuração natural. Imagine uma mola vertical presa ao teto com um bloco de 2 kg pendurado na extremidade livre: ao se esticar em 10 cm e permanecer em repouso, a força elástica para cima equilibra o peso, ou seja, $k\cdot 0{,}10 = 2\cdot 10$, o que fornece $k = 200$ N/m. Se puxarmos o bloco mais 5 cm para baixo e soltarmos, a força resultante passa a ser elástica menos peso, gerando um movimento oscilatório em torno da posição de equilíbrio, e a energia potencial elástica acumulada nessa nova deformação de 15 cm é $E_p = \frac{200\cdot (0{,}15)^2}{2} = 2{,}25$ J, que alimenta a energia cinética do bloco ao passar pelo ponto de equilíbrio.

Esse caráter restaurador e conservativo é o que conecta a força elástica à conservação da energia mecânica e ao estudo do movimento harmônico simples, em que o período de oscilação depende de $k$ e da massa, mas não da amplitude.

Associação de molas em série

A mesma força atravessa todas, e as deformações se somam: o conjunto é mais mole, com $\frac{1}{k_{eq}}=\sum\frac{1}{k_i}$. Para duas molas iguais de constante $k$, o equivalente vale $\frac{k}{2}$ — mesma lógica dos resistores em paralelo.

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Quando você pendura um bloco em duas molas em série, a força peso se transmite integralmente por ambas — a mola de cima senta a mesma tração que a de baixo —, de modo que cada uma se deforma como se estivesse sozinha sob aquela carga; a deformação total do conjunto é a soma das duas, o que faz a rigidez equivalente cair. Isso explica por que a associação em série é mais mole que qualquer uma das molas isoladas: para uma mesma força, o deslocamento cresce, logo a constante efetiva diminui, e o inverso da constante equivalente é a soma dos inversos de cada constante. Note a assimetria importante: em paralelo as forças se dividem e as deformações são iguais, enquanto em série as forças são iguais e as deformações se somam — comparação que as provas adoram explorar, às vezes misturando os dois arranjos numa mesma figura para testar se o aluno identifica qual grandeza é comum.

Associação de molas em paralelo

Todas sofrem a mesma deformação e as forças se somam: o conjunto é mais rígido, com $k_{eq}=\sum k_i$. Duas molas iguais dão $2k$. Cortar uma mola ao meio dobra sua constante — cada metade deforma metade sob a mesma força.

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Imagine duas molas idênticas, de constante $k$, presas lado a lado entre uma parede e uma barra rígida que você puxa: ao deslocar a barra de $x$, cada mola estica o mesmo $x$, mas cada uma exerce sua força $kx$, de modo que o sistema responde com o dobro — daí o nome "associação em paralelo" não vir da geometria, mas do fato de as forças atuarem juntas sobre o mesmo corpo. O ponto-chave é a distribuição de forças, não de deformações: em paralelo, o deslocamento é comum e as forças se repartem; em série, ocorre o oposto, a força é comum e as deformações se somam, o que leva a $\frac{1}{k_{eq}}=\sum \frac{1}{k_i}$ e a um conjunto mais mole. Vale ainda notar a leitura energética: a energia elástica armazenada em paralelo, $\frac{1}{2}k_{eq}x^2$, é a soma das energias de cada mola, coerente com o fato de ambas deformarem o mesmo $x$ — em série, cada mola deforma só uma fração do total, e é por isso que energias e forças não se somam do mesmo jeito.

Saber trocar entre a leitura de forças, de energia e de frequência é o que resolve a questão, e por isso todo bom problema em paralelo termina pedindo o período ou a frequência do MHS resultante.

Equilíbrio de um corpo

Resultante nula: $\vec{F}_R=\vec{0}$, o que equivale a $\sum F_x=0$ e $\sum F_y=0$. Equilíbrio estático é repouso; dinâmico é MRU — em ambos, $a=0$. O método é sempre o mesmo: isolar o corpo, desenhar todas as forças e decompor nos eixos.

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O ponto central é que o equilíbrio depende exclusivamente da resultante das forças, e não da presença ou ausência de movimento: um bloco apoiado numa mesa e um elevador subindo em velocidade constante estão igualmente em equilíbrio, pois em ambos $\vec{F}_R=\vec{0}$. Na prática, isso significa que a força resultante não acelera nem freia o corpo, apenas mantém seu estado. O detalhe que muita gente esquece é que forças atuam sempre em pares de interação, então ao isolar o corpo você deve incluir apenas as forças que agem sobre ele, e não as que ele exerce em outros corpos — erro clássico que contamina todo o diagrama. Considere um caixote de 100 N puxado por uma corda que forma 30° com a horizontal, sobre piso rugoso, permanecendo em repouso.

Na vertical: $N + T\,\text{sen}\,30° = P$. Na horizontal: $T\cos 30° = F_{at}$, pois sem atrito o caixote aceleraria.

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  • Força elástica — F = kx

    A lei de Hooke é uma reta: k é a inclinação (mola mais dura = mais inclinada). A área sob a reta até x é a energia elástica kx²/2.