F1 · Aulas 46–48

Colisão I

Classificação quanto à dimensão

Unidimensionais (frontais): velocidades sobre a mesma reta, e a conservação vira equação escalar com sinais. Bidimensionais (oblíquas): exigem conservação por componentes, $\sum Q_x$ e $\sum Q_y$ separadamente. Comece sempre fixando um sentido positivo.

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A classificação quanto à dimensão diz respeito a quantas direções independentes o movimento dos corpos ocupa durante o choque, e isso muda completamente a ferramenta matemática que você usa. Em colisões unidimensionais, basta uma equação escalar com sinais: o vetor quantidade de movimento se reduz a um único número algébrico, e a análise fica acessível até em contas mentais. Já nas bidimensionais, cada eixo passa a carregar sua própria equação de conservação, e o acoplamento entre elas aparece apenas pelas direções dos vetores velocidade antes e depois. O pulo do gato é perceber que a dimensão do problema não depende do número de corpos, mas de como os vetores velocidade estão orientados no espaço.

Um caso clássico que a Fuvest e a Unicamp adoram é o do pêndulo balístico seguido de escorregamento perpendicular: a bala incide horizontalmente, atravessa ou se aloja no bloco, e o conjunto sai desviado lateralmente. Se o bloco estivesse preso a um trilho retilíneo, o problema seria unidimensional e bastaria Q_antes = Q_depois com sinais. Sem o trilho, o impacto oblíquo gera componentes perpendiculares, e você precisa escrever Q_x e Q_y separadamente, lembrando que a conservação só vale por eixo porque o impulso externo resultante na direção do plano é desprezível durante o choque.

Conservação da quantidade de movimento

Vale em toda colisão, elástica ou não, porque as forças de interação são internas ao sistema e as externas são desprezíveis no curto intervalo do choque: $m_1v_1+m_2v_2=m_1v_1'+m_2v_2'$. É a única equação sempre disponível.

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A conservação da quantidade de movimento nasce diretamente da terceira lei de Newton: durante o choque, os corpos trocam forças de mesma intensidade e sentidos opostos, e como atuam por intervalos de tempo idênticos, os impulsos também são iguais e contrários, de modo que a variação de quantidade de movimento de um corpo anula exatamente a do outro, mantendo constante a soma total. Por isso, o princípio vale até em colisões inelásticas, quando a energia cinética se dissipa em calor, som e deformação — a energia mecânica não se conserva, mas o momento linear sim.

Classificação quanto à conservação de energia

Elástica: conserva também a energia cinética. Perfeitamente inelástica: os corpos seguem juntos, com perda máxima de energia. Parcialmente elástica: caso intermediário. Em nenhuma delas a energia total se perde — o que “some” vira calor e deformação.

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A chave para classificar uma colisão é comparar a energia cinética total do sistema antes e depois do choque, tendo sempre em mente que a quantidade de movimento (momento linear) se conserva em qualquer colisão isolada — é essa conservação que permite resolver a maioria dos problemas, mesmo quando a energia cinética não se mantém. O coeficiente de restituição e, definido como a razão entre a velocidade relativa de afastamento e a de aproximação, quantifica o quão elástica é a interação: e = 1 na colisão perfeitamente elástica (energia cinética conservada), e = 0 na perfeitamente inelástica (corpos com mesma velocidade final) e 0 < e < 1 nos casos parciais.

Vale notar que a conservação do momento não garante a da energia cinética, pois vetores (momento) e escalares (energia) obedecem a regras distintas — daí a existência do caso parcialmente elástico. Como exemplo concreto, imagine uma bolinha de massa 100 g a 10 m/s contra um bloco idêntico parado sobre mesa lisa: se e = 1, a bolinha para e o bloco sai a 10 m/s (energia cinética de 5 J preservada); se e = 0, os dois seguem juntos a 5 m/s (energia final 2,5 J, metade perdida); se e = 0,5, a bolinha recua a 2,5 m/s e o bloco avança a 7,5 m/s, com energia final de 3,125 J.

Coeficiente de restituição

$e=\frac{|v_{afast}|}{|v_{aprox}|}$, entre 0 e 1. Vale $e=1$ na elástica, $e=0$ na perfeitamente inelástica e $0\lt e\lt 1$ na parcialmente elástica. Numa bola que quica, $e=\sqrt{\frac{h'}{h}}$ — relação entre as alturas antes e depois do choque com o solo.

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O coeficiente de restituição mede o quanto da energia cinética relativa se conserva numa colisão, mas sua leitura mais fina exige entender que ele nunca é propriedade apenas dos corpos: depende do material, da geometria do impacto e da velocidade de aproximação, tanto que numa mesma dupla de materiais ele varia com a intensidade da batida. O valor $e$ sai da razão entre as componentes normais das velocidades relativas de afastamento e aproximação, medidas ao longo da linha de choque; componentes tangenciais não entram, o que explica por que uma bola raspando o chão pode perder velocidade sem que isso altere o coeficiente.

Em colisões contra o solo, tratamos a Terra como referencial de massa infinita, e não apenas “muito grande”: assim o centro de massa do sistema coincide com o solo, a velocidade de recuo da Terra tende a zero e a razão de energias se converte diretamente em razão de alturas, chegando à relação $e=\sqrt{h'/h}$ já citada — repare que ela só vale se a resistência do ar for desprezível e o lançamento for vertical.

Colisão inelástica unidimensional

Com $e=0$, os corpos permanecem unidos e $v'=\frac{m_1v_1+m_2v_2}{m_1+m_2}$ — a velocidade comum é a média ponderada pelas massas. A energia dissipada é a diferença entre as energias cinéticas antes e depois, e é máxima nesse caso.

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A colisão inelástica unidimensional é o caso extremo de interação em que os corpos, após o choque, seguem juntos com a mesma velocidade, e o coeficiente de restituição $e=0$ apenas formaliza essa condição: a velocidade relativa de afastamento é nula.

O ponto central para as provas é entender que a conservação do momento linear é sempre válida, mesmo quando a energia mecânica não se conserva, pois as forças impulsivas internas são muito maiores que as externas durante o contato. Assim, mede-se a energia dissipada como $\Delta E = \frac{1}{2}\frac{m_1 m_2}{m_1+m_2}(v_1-v_2)^2$, expressão que revela dois fatos importantes: a perda depende do quadrado da velocidade relativa inicial e é proporcional à massa reduzida do sistema — logo, é máxima exatamente nesse tipo de colisão.

Colisão elástica unidimensional

Duas equações: conservação de $Q$ e de $E_c$. Resultado notável para massas iguais: os corpos trocam de velocidade. Se um deles estava parado, ele parte com a velocidade do outro, que fica em repouso — princípio do berço de Newton.

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Na colisão elástica unidimensional, além das duas equações já citadas, vale destacar que a conservação da energia cinética impõe um vínculo extra que permite resolver completamente o problema com apenas duas incógnitas — as velocidades finais — a partir das velocidades iniciais e das massas.

O ponto central é que, ao contrário de colisões inelásticas, não há dissipação de energia em calor, som ou deformação permanente, o que faz o coeficiente de restituição valer exatamente 1. Um resultado útil e frequentemente esquecido é que a velocidade relativa de aproximação antes do choque é igual, em módulo, à velocidade relativa de afastamento depois dele. Disso decorre que, se as massas forem diferentes, o corpo mais leve tende a sair com velocidade maior e o mais pesado, menor, mas ambos podem manter o sentido original. Por exemplo, uma bola de massa 2 kg a 6 m/s colide frontalmente com outra de 1 kg inicialmente parada; resolvendo o sistema, a primeira fica a 2 m/s e a segunda a 8 m/s, comprovando a conservação de quantidade de movimento (12 kg·m/s antes e depois) e de energia cinética (36 J antes e depois).

Já se a massa parada fosse enorme, a bola incidente praticamente rebateria com a mesma rapidez, como uma bola quicando no muro.