F1 · Aulas 37–39

Conservação de energia

Forças conservativas

São aquelas cujo trabalho independe da trajetória e é nulo em percurso fechado: peso, força elástica e força elétrica. Só elas admitem energia potencial associada, com $\tau=-\Delta E_p$. Atrito e resistência do ar não cumprem essa condição.

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Para entender de verdade o que é uma força conservativa, vá além da definição: imagine o trabalho como um "custo energético" e pergunte se esse custo depende do caminho. A força peso é o exemplo mais intuitivo: ao deslocar um corpo do ponto A até B, só importam o desnível vertical, pois o trabalho do peso é $\pm mgh$, contra ou a favor do movimento, mesmo que você suba reto, em zigue-zague ou por uma rampa suave. Isso ocorre porque a força é obtida a partir de uma função escalar, a energia potencial, por $\vec F=-\vec\nabla E_p$, expressão que generaliza o $\tau=-\Delta E_p$; assim, o trabalho é a diferença de potencial entre os extremos. Num percurso fechado, o corpo retorna ao mesmo potencial e o trabalho total se anula.

Forças não conservativas, como o atrito cinético, dependem do comprimento efetivamente percorrido e dissipam energia em calor de forma irreversível, por isso não admitem energia potencial.

Vale notar que a força elástica e a gravitacional são conservativas porque armazenam energia reversívelmente, enquanto atrito e resistência do ar convertem energia mecânica em térmica.

Conservação de energia mecânica

Atuando apenas forças conservativas, $E_m=E_c+E_p$ permanece constante: $\frac{mv_i^{2}}{2}+mgh_i=\frac{mv_f^{2}}{2}+mgh_f$. Num tobogã sem atrito, a velocidade final depende só do desnível, não da forma da rampa nem da massa — resultado muito cobrado.

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A conservação da energia mecânica é um caso particular do princípio geral de conservação da energia, válido quando as únicas forças que realizam trabalho sobre o corpo são conservativas — peso, força elástica, gravitacional, elétrica —, ou seja, forças cujo trabalho não depende da trajetória e que admitem uma energia potencial associada. Se houver atrito, resistência do ar ou uma força externa aplicada, parte da energia mecânica se dissipa como calor ou é transferida ao sistema, e a igualdade $E_{m_i}=E_{m_f}$ deixa de valer; nesses casos usamos o balanço completo $\Delta E_m = W_{forças\ não\ conservativas}$. Uma consequência elegante do formalismo é perceber que a variação de energia potencial só depende dos estados inicial e final, o que explica por que o formato do trilho não importa.

Considere, por exemplo, uma esfera solta do repouso a $h=5\,\text{m}$ numa rampa curva e lisa que termina num trecho horizontal: toda a energia potencial gravitacional $mgh$ se converte em cinética, dando $v=\sqrt{2gh}\approx 10\,\text{m/s}$ ao final, valor que independe da massa e do trajeto. Se o trecho final fosse uma mola ideal, toda essa energia cinética viraria energia potencial elástica $\frac{kx^2}{2}$, permitindo achar a compressão máxima.

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  • Conservação da energia mecânica na queda

    Corpo largado de h₀: Ep cai, Ec sobe e a soma (Em, tracejada) fica constante. Sem atrito, o gráfico das duas se cruza em h₀/2.