Projeção do MCU sobre um diâmetro: $x=A\cos(\omega t+\varphi_0)$, $v=-A\omega\operatorname{sen}(\omega t+\varphi_0)$ e $a=-\omega^{2}x$. Nos extremos, $v=0$ e $|a|$ é máxima; no centro, o inverso. Velocidade e aceleração estão defasadas do deslocamento.
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A chave conceitual do MHS é entendê-lo não como um movimento "próprio", mas como a sombra de um movimento circular uniforme: imagine uma partícula girando sobre uma circunferência de raio $A$ com velocidade angular constante $\omega$; a projeção ortogonal desse ponto sobre um diâmetro oscila exatamente como um MHS. Por isso as fórmulas do resumo não são arbitrárias — elas vêm da trigonometria do círculo. As defasagens merecem precisão: o deslocamento $x$ e a velocidade $v$ estão defasados de $\pi/2$ (quando $x$ é máximo, $v$ é nulo, e vice-versa); entre $v$ e $a$ também há $\pi/2$; logo $a$ está defasada de $\pi$ de $x$, ou seja, $a$ e $x$ têm sinais opostos em cada instante — é exatamente isso que a lei $a=-\omega^{2}x$ expressa, e é a definição dinâmica do MHS (força restauradora proporcional ao afastamento).
Análise dinâmica do MHS
Condição necessária e suficiente: força restauradora proporcional e oposta ao deslocamento, $F=-kx$. Daí $a=-\frac{k}{m}x$ e $\omega=\sqrt{\frac{k}{m}}$. Qualquer sistema que obedeça a essa relação oscila em MHS, seja mola, pêndulo ou circuito LC.
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A análise dinâmica do MHS vai além da mera identificação da força restauradora: trata-se de aplicar a Segunda Lei de Newton a um deslocamento genérico $x$ medido a partir da posição de equilíbrio e verificar se surge uma equação do tipo $\ddot{x}+\omega^2 x=0$, cuja solução é senoidal e cuja frequência angular independe da amplitude — propriedade conhecida como isocronismo. No sistema massa-mola horizontal ideal, com atrito desprezível, a única força horizontal é a elástica, $F=-kx$, e imediatamente $m\ddot{x}=-kx$, donde $\omega=\sqrt{k/m}$. Já no sistema massa-mola vertical, é preciso cuidado: a força elástica é $-k(x-x_0)$, sendo $x_0$ a deformação estática de equilíbrio, mas como $mg=kx_0$, ao medir o deslocamento a partir dessa posição a gravidade se cancela e recuperamos a mesma equação $\ddot{x}=-(k/m)x$, com o mesmo $\omega$ — resultado que explica por que a massa não altera o período quando pendurada verticalmente.
Período de oscilação do MHS
Massa-mola: $T=2\pi\sqrt{\frac{m}{k}}$ — independe da amplitude e da gravidade. Pêndulo simples, para pequenas oscilações: $T=2\pi\sqrt{\frac{L}{g}}$ — independe da massa e da amplitude, mas depende de $g$, o que permite medi-la experimentalmente.
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O período do MHS depende essencialmente das propriedades do sistema oscilante, e não de como ele foi posto a oscilar: essa é a ideia central que une a massa-mola e o pêndulo. No caso massa-mola, a força restauradora é a força elástica $F=-kx$ (Lei de Hooke), de modo que aumentando a massa $m$ o corpo "responde" mais lentamente à mola e o período cresce com $\sqrt{m}$, enquanto uma mola mais rígida (maior $k$) puxa o corpo de volta mais rapidamente e reduz $T$, que varia com $1/\sqrt{k}$. Já no pêndulo simples, a força restauradora é a componente tangencial do peso, $F=-mg\,\text{sen}\,\theta$; para pequenos ângulos, $\text{sen}\,\theta\approx\theta$, o que lineariza a equação e produz um MHS cuja "constante efetiva" vale $mg/L$.
Por isso a massa se cancela — ela aparece tanto na inércia quanto na força restauradora — e o período fica dependente apenas de $L$ e $g$.
Energia no MHS
Sem atrito, a energia mecânica é constante e vale $E=\frac{kA^{2}}{2}$ — depende do quadrado da amplitude. Nos extremos é toda potencial; no ponto de equilíbrio, toda cinética, com $v_{max}=A\omega$. A troca entre as duas ocorre duas vezes por período.
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A conservação da energia no MHS é uma consequência direta de a força elástica ser conservativa, o que permite escrever a energia mecânica como a soma da energia cinética com a potencial elástica em qualquer instante, $E = \frac{mv^{2}}{2} + \frac{kx^{2}}{2}$, expressão que, igualada a $\frac{kA^{2}}{2}$, fornece a relação $v = \pm\omega\sqrt{A^{2}-x^{2}}$, muito mais rápida que resolver a equação diferencial do movimento; repare que essa fórmula contém o resultado $v_{max}=A\omega$ quando $x=0$ e mostra que a velocidade se anula nos extremos, o que explica por que o oscilador "para" e retorna: não há dissipação de energia, apenas conversão total entre as duas formas, e a soma permanece constante porque o trabalho da força elástica em cada trecho é compensado exatamente pelo trabalho oposto no trecho seguinte.
Convém ainda lembrar a relação $\omega=\sqrt{k/m}$ para uma massa presa a uma mola, de modo que $E=\frac{kA^{2}}{2}=\frac{m\omega^{2}A^{2}}{2}$, e observar que a energia cinética média ao longo de um período é metade da energia total, um resultado elegante que aparece em questões de múltipla escolha. Como exemplo concreto, considere um bloco de 0,20 kg preso a uma mola de constante $k=80\ \text{N/m}$, oscilando com amplitude de 0,10 m: a energia mecânica vale $E=\frac{80\cdot(0,10)^{2}}{2}=0,40\ \text{J}$, a frequência angular é $\omega=\sqrt{80/0,20}=20\ \text{rad/s}$ e, no ponto $x=0,06\ \text{m}$, a energia potencial é $\frac{80\cdot(0,06)^{2}}{2}=0,144\ \text{J}$, de modo que a cinética vale 0,256 J e a velocidade, por $v=\omega\sqrt{A^{2}-x^{2}}$, resulta em $20\sqrt{0,0100-0,0036}=20\cdot0,08=1,6\ \text{m/s}$.
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MHS — x, v e a no tempo, e energia
x = A cos(ωt): v está adiantada 90° e a é oposta a x (a = −ω²x). Mude ω e A; note que dobrar A dobra v máx e a máx.