F3 · Aulas 7–10

Calorimetria e sistemas termicamente isolados

Calor

Energia térmica em trânsito do corpo mais quente para o mais frio. Unidades: joule e caloria, com $1\ \mathrm{cal}=4{,}18\ \mathrm{J}$. Divide-se em sensível, que altera a temperatura, e latente, que muda o estado físico mantendo a temperatura constante.

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O calor é uma forma de energia em trânsito que só existe enquanto houver diferença de temperatura entre dois corpos ou entre um corpo e o meio; assim que o equilíbrio térmico é atingido, cessa a transferência, embora a energia interna permaneça armazenada. Essa distinção é crucial: calor não é o que o corpo tem, mas o que ele troca. A propagação espontânea ocorre sempre do corpo de maior temperatura para o de menor, e o fluxo é medido pela quantidade de energia transferida. Quando essa transferência provoca apenas variação de temperatura, falamos de calor sensível, regido por Q = m·c·ΔT, em que c é o calor específico, propriedade que mede a resistência do material a mudar de temperatura; a água, com c ≈ 1 cal/g·°C, é um caso notável.

Já quando há mudança de fase, surge o calor latente, Q = m·L, com L sendo o calor latente específico da fusão ou vaporização, e a temperatura permanece fixa durante a transição porque a energia reorganiza as ligações entre as moléculas.

Calor sensível

$Q=m\,c\,\Delta\theta$, com $c$ o calor específico ($c_{\text{água}}=1\ \mathrm{cal/g°C}$, o mais alto entre os líquidos comuns — daí seu uso como refrigerante e a amenização do clima litorâneo). A capacidade térmica é $C=m\,c$, propriedade do corpo, não do material.

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O calor sensível é a energia térmica que provoca variação de temperatura sem mudança de fase, e sua compreensão exige distinguir três grandezas que os alunos frequentemente confundem: calor específico, capacidade térmica e calor latente. Enquanto o calor sensível obedece à proporcionalidade direta entre energia e variação de temperatura, o calor latente rompe essa linearidade durante a fusão ou ebulição. Considere um exemplo concreto: um aquecedor de 500 W opera por 4 minutos sobre 2 kg de água inicialmente a 20 °C. A energia fornecida é $P \cdot \Delta t = 500 \times 240 = 120000$ J, que equivalem a aproximadamente 28,7 kcal. Aplicando $Q = mc\Delta\theta$, obtemos $\Delta\theta = 28,7/(2 \cdot 1) \approx 14,3$ °C, elevando a água a cerca de 34,3 °C.

Se a massa fosse de ferro com $c \approx 0,11\ \mathrm{cal/g°C}$, a variação seria cerca de nove vezes maior, evidenciando por que metais esquentam rápido e a água demora.

Calorímetros

Recipientes termicamente isolados em que vale $\sum Q=0$: o calor cedido pelos corpos quentes iguala o recebido pelos frios. Se o calorímetro não for ideal, entra com sua própria capacidade térmica na soma — detalhe que muda a temperatura final.

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O calorímetro é, na prática, um sistema termicamente isolado construído para impedir trocas de calor com o ambiente, de modo que todo calor trocado ocorra apenas entre os corpos colocados em seu interior; a conservação de energia exige, então, que a soma algébrica dos calores seja nula. O ponto sutil é que nenhum calorímetro é perfeito: parte do calor aquece o próprio recipiente e seus acessórios (termômetro, agitador), então modelamos esse efeito por meio de sua capacidade térmica C, equivalente a m·c de uma massa de água. Assim, é comum o enunciado fornecer o "equivalente em água" do calorímetro, valor que representa a massa de água que absorveria a mesma quantidade de calor que o aparelho.

Considere um exemplo: 200 g de água a 80 °C são despejados em um calorímetro de equivalente em água igual a 20 g, inicialmente a 20 °C, contendo 100 g de água. Igualando o calor cedido pela água quente ao recebido pela água fria mais o calorímetro, encontra-se uma temperatura final intermediária, sempre menor do que a média ponderada ingênua entre as massas de água, justamente porque o calorímetro "rouba" parte do calor. Esse detalhe aparece muito em provas da Fuvest e da Unicamp, geralmente pedindo a temperatura de equilíbrio ou o calor específico de um material a partir de dados experimentais; a banca costuma incluir o equivalente em água como pegadinha para testar se o candidato lembra de contabilizar o recipiente.