Tipos de energia
A energia associada à posição é potencial; a associada ao movimento, cinética. A analogia com a gravitação organiza o capítulo: a carga está para o campo elétrico assim como a massa está para o campo gravitacional — com a diferença de que a carga pode ser negativa.
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Antes de tratar do trabalho e do potencial elétrico, é preciso sedimentar que a energia potencial não é uma propriedade intrínseca do corpo, mas sim do sistema formado por ele e pela fonte do campo — no caso elétrico, o par carga-campo (ou carga-carga). Isso significa que só faz sentido falar em energia potencial elétrica quando há mais de uma carga presente, e que seu valor depende de uma referência arbitrária escolhida para o potencial zero, normalmente o infinito ou o solo, exatamente como se faz em gravitação. O sinal da energia potencial é decisivo: para cargas de mesmo sinal, a energia potencial é positiva e cresce quando elas se aproximam, pois o campo realiza trabalho resistente; para cargas de sinais opostos, ela é negativa e diminui com a aproximação, liberando energia.
As provas costumam cobrar três frentes: cálculo direto de U para distribuições discretas, o teorema do trabalho–energia aplicado a partículas carregadas em campos uniformes (como entre placas paralelas) e, sobretudo, questões conceituais em que se pede para comparar energias potenciais de cargas de sinais diferentes ou justificar por que a energia é do sistema, e não da carga isolada — pegadinha clássica em Fuvest e Unicamp, que exigem a leitura correta do sinal e da referência adotada.
Energia cinética
$E_c=\frac{mv^{2}}{2}$, sempre positiva, medida em joules. Numa carga acelerada por campo elétrico, todo o trabalho da força elétrica converte-se em energia cinética, se não houver outras forças — princípio dos aceleradores de partículas.
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A energia cinética mede a capacidade de um corpo realizar trabalho em virtude exclusivamente de seu movimento, e sua variação entre dois instantes é dada pelo teorema da energia cinética, que afirma que o trabalho total realizado pelas forças que agem sobre a partícula é igual à diferença $\Delta E_c = W_{\text{total}}$. Isso decorre diretamente da segunda lei de Newton combinada com a definição de trabalho: partindo de $W = F\,d$ e de $v^2 = v_0^2 + 2ad$, chega-se a $W = \frac{mv^2}{2} - \frac{mv_0^2}{2}$, mostrando que o teorema é uma consequência dinâmica, não uma definição arbitrária. No contexto elétrico, quando uma carga $q$ é abandonada em repouso numa região de campo uniforme $E$ e percorre uma distância $d$ sem outras forças, o trabalho elétrico $W = qEd$ converte-se integralmente em energia cinética: $qEd = \frac{mv^2}{2}$, de modo que a velocidade final é $v = \sqrt{2qEd/m}$.
Como exemplo numérico, um próton ($q = 1{,}6 \times 10^{-19}\,\text{C}$, $m \approx 1{,}67 \times 10^{-27}\,\text{kg}$) acelerado por uma diferença de potencial de $1000\,\text{V}$ adquire energia cinética de $1{,}6 \times 10^{-16}\,\text{J}$, ou seja, cerca de $1\,\text{keV}$, valor que revela por que os aceleradores de partículas usam tensões da ordem de milhões de volts.
Energias potenciais
Dependem apenas da posição num campo de forças conservativas: gravitacional $E_p=mgh$, elástica $E_p=\frac{kx^{2}}{2}$ e elétrica. Todas admitem nível de referência arbitrário — o que tem significado físico é a variação, não o valor absoluto.
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A ideia central por trás de toda energia potencial é que forças conservativas permitem “guardar” trabalho na geometria do sistema: quando você desloca um corpo contra a ação dessa força, o trabalho realizado fica armazenado e pode ser integralmente devolvido no retorno à configuração inicial, sem perdas. Na eletrostática isso fica especialmente rico porque a força de Coulomb pode ser atrativa ou repulsiva, e o sinal da energia potencial carrega informação física real. Para duas cargas puntiformes $q_1$ e $q_2$ separadas por uma distância $r$, define-se $E_p=k\frac{q_1q_2}{r}$, com referência no infinito ($E_p=0$ quando $r\to\infty$).
Energia potencial elétrica
$E_p=k\frac{Q\,q}{d}$ — note o expoente 1 na distância, e não 2 como na força. O sinal entra com as cargas: positivo para cargas de mesmo sinal (repulsão, energia armazenada) e negativo para sinais opostos (sistema ligado).
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A energia potencial elétrica é, antes de tudo, uma grandeza escalar que mede a energia armazenada no sistema de duas ou mais cargas em razão de suas posições relativas; ela surge naturalmente quando comparamos o trabalho que o campo elétrico realiza ao mover uma carga entre dois pontos com o trabalho que uma força externa precisa realizar contra o campo. Como o campo elétrico é conservativo, esse trabalho independe da trajetória, o que permite definir uma função energia potencial associada a cada configuração, e é justamente por isso que podemos escrever a energia como $E_p = kQq/d$ sem nos preocuparmos com o caminho percorrido. Vale reforçar uma sutileza importante: a expressão fornece a energia do par de cargas, não de uma carga isolada; assim, se houver três cargas, a energia total do sistema é a soma das energias de cada par, calculada par a par, sem duplicar nenhuma interação.