F2 · Aulas 13–14

Campo elétrico

Campo elétrico

Região em que uma carga altera as propriedades do espaço, permitindo a interação a distância. Existe independentemente da carga de prova — esta apenas revela o campo. Substitui a ideia de ação a distância instantânea pela de mediação pelo campo.

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O campo elétrico é uma grandeza vetorial definida em cada ponto do espaço como a força elétrica por unidade de carga positiva ali colocada, ou seja, E = F/q. Isso significa que seu módulo indica a intensidade da força que uma carga de prova unitária sofreria, sua direção é a da força e seu sentido é o mesmo da força quando q é positiva, invertendo-se para cargas negativas. Para uma carga puntiforme Q, o módulo é dado por E = k|Q|/d², com direção radial: afastando-se de Q se ela for positiva (campo de afastamento) e aproximando-se se for negativa (campo de aproximação). Como o campo é vetorial, quando há várias cargas aplica-se o princípio da superposição, somando vetorialmente os campos parciais.

Vetor campo elétrico

$\vec{E}=\frac{\vec{F}}{q}$, em N/C. Para carga puntiforme, $E=k\frac{|Q|}{d^{2}}$. O campo afasta-se da carga positiva e aponta para a negativa. A força sobre uma carga de prova é $\vec F=q\vec E$: paralela a $\vec E$ se $q\gt 0$, oposta se $q\lt 0$.

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O vetor campo elétrico é uma grandeza vetorial definida em cada ponto do espaço e existe independentemente de haver ou não uma carga de prova ali: o que a carga de prova faz é apenas revelar o campo, e não criá-lo. Por isso dizemos que o campo é uma propriedade do arranjo de cargas-fonte, com módulo, direção e sentido bem determinados em cada ponto. Para determiná-lo em situações reais, usa-se o princípio da superposição: o campo resultante é a soma vetorial dos campos que cada carga-fonte produziria isoladamente, o que exige decompor vetores em componentes $x$ e $y$ antes de somá-los.

Vale lembrar que $k$ vale aproximadamente $9\times10^{9}\ \text{N·m}^2/\text{C}^2$, e que o campo decai com o quadrado da distância, o que faz com que cargas próximas dominem o resultado. Como exemplo concreto, considere duas cargas $+Q$ e $-Q$ separadas por uma distância $2a$: no ponto médio do segmento que as une, os dois campos apontam no mesmo sentido (de $+Q$ para $-Q$), e o campo resultante tem módulo $E=2kQ/a^{2}$, o dobro do de cada carga — esse é o caso típico do dipolo elétrico, muito explorado em prova. Já fora do eixo, a soma vetorial exige decomposição cuidadosa.

Nos vestibulares, o tema costuma aparecer de três formas: cálculo do campo resultante em pontos de configurações com duas ou três cargas, análise qualitativa do sentido do campo em figuras (identificar onde ele é nulo, por exemplo), e a relação com o movimento de partículas carregadas, em que se combina $\vec F=q\vec E$ com a segunda lei de Newton para achar a aceleração e, em questões mais elaboradas, prever a trajetória — lembrando que, em um campo uniforme, uma carga lançada perpendicularmente às linhas de força descreve uma parábola, exatamente como um projétil no campo gravitacional.

Campo elétrico resultante de várias cargas

Superposição vetorial: some os campos de cada carga no ponto. Entre duas cargas iguais e de mesmo sinal, há um ponto de campo nulo entre elas; com sinais opostos, o ponto de campo nulo fica fora, do lado da carga de menor módulo.

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O princípio de superposição é a ferramenta central aqui: o campo elétrico resultante em um ponto P qualquer é a soma vetorial dos campos que cada carga produziria isoladamente naquele ponto, como se as demais não existissem. Na prática, isso significa decompor cada vetor campo em componentes x e y (escolhendo eixos convenientes), somar componente por componente e só então recompor o vetor resultante por Pitágoras, tomando cuidado com o sinal algébrico de cada componente.

Vale lembrar que o campo de uma carga pontual tem módulo k|Q|/d² e aponta para longe da carga positiva e para dentro da carga negativa, de modo que o sentido de cada vetor deve ser decidido antes de somar.

Em resumo, domine a decomposição vetorial, respeite o sentido de cada campo e confira sempre se o resultado é coerente com a simetria do problema.

Linhas de força (L.F.) ou linhas de campo

Saem das cargas positivas e chegam às negativas, tangentes a $\vec{E}$ em cada ponto. Nunca se cruzam — o campo é único em cada ponto. A densidade de linhas indica a intensidade: mais próximas, campo mais forte.

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As linhas de força são uma representação geométrica do campo elétrico: desenhamos curvas cuja tangente, em cada ponto, coincide com a direção do vetor $\vec{E}$ ali, e cujo sentido acompanha o sentido do campo, sempre saindo das cargas positivas e entrando nas negativas. Mais do que um desenho bonito, elas revelam três propriedades físicas importantes. Primeiro, a intensidade do campo é proporcional à densidade de linhas por unidade de área perpendicular a elas, de modo que linhas apertadas indicam campo intenso e linhas espaçadas, campo fraco. Segundo, como o campo elétrico é unívoco em cada ponto do espaço, duas linhas jamais podem se cruzar nem se tocar, pois isso implicaria duas direções de $\vec{E}$ num mesmo ponto.

Terceiro, o número de linhas que partem de uma carga é proporcional ao módulo dessa carga, o que faz da densidade superficial de linhas uma medida da carga que as origina.