F3 · Aulas 19–20

Termodinâmica e máquinas térmicas

Máquinas térmicas

Retiram calor $Q_q$ da fonte quente, realizam trabalho $\tau$ e rejeitam $Q_f$ à fonte fria: $\tau=Q_q-Q_f$, com rendimento $\eta=1-\frac{Q_f}{Q_q}$. A 2ª lei impede $\eta=1$: é impossível converter integralmente calor em trabalho num ciclo. Refrigeradores operam no sentido inverso, consumindo trabalho.

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A ideia central por trás das máquinas térmicas é que elas são dispositivos cíclicos que operam entre dois reservatórios a temperaturas distintas e convertem parte da energia térmica em trabalho útil, mas nunca toda ela. O motor de um carro ilustra bem isso: a combustão da gasolina libera calor a alta temperatura (fonte quente); parte dessa energia empurra os pistões e gera movimento; o restante é rejeitado pelo escapamento e pelo radiador para a atmosfera, que funciona como fonte fria. Se você calcular o rendimento típico, ele fica entre 25% e 40%, ou seja, a maior parte da energia do combustível vira calor desperdiçado, não trabalho. Carnot mostrou que o rendimento máximo teórico depende exclusivamente das temperaturas absolutas das fontes: η = 1 − T_f/T_q.

Isso explica por que usinas termelétricas buscam fontes quentes cada vez mais quentes e fontes frias mais frias, mas jamais alcançam 100%.

Ciclo de Carnot

Ciclo ideal e reversível, com duas isotérmicas e duas adiabáticas; é o de maior rendimento possível entre duas fontes: $\eta_{max}=1-\frac{T_f}{T_q}$, com temperaturas em kelvin. Depende só das temperaturas, não da substância — e só valeria 1 com $T_f=0\ \mathrm{K}$, inatingível.

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O que torna o Ciclo de Carnot tão especial é ele servir de padrão de comparação: nenhuma máquina real operando entre as mesmas duas temperaturas pode superá-lo, e a igualdade só ocorre se a máquina for reversível e operar em ciclo. Para entender por que o rendimento depende apenas das temperaturas, pense no balanço de entropia: nas duas isotérmicas, a entropia varia $\Delta S_q=Q_q/T_q$ (absorvida da fonte quente) e $\Delta S_f=-Q_f/T_f$ (cedida à fonte fria); nas adiabáticas, $Q=0$ e a entropia não muda. Como o ciclo é reversível, a variação total é nula, logo $Q_q/T_q=Q_f/T_f$. Combinando com a conservação de energia, $W=Q_q-Q_f$, chega-se a $\eta=W/Q_q=1-T_f/T_q$ — exatamente a expressão do resumo, agora justificada pelo conceito de entropia.

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  • Rendimento de Carnot — η = 1 − T_f/T_q

    Com a fonte quente fixa, o rendimento cai quando a fria esquenta; só chegaria a 100% com T_f = 0 K. Mude T_q.